Faltam cinco minutos para deixarmos 2009 e entramos em 2010…
Embora neste momento esteja algures por aí, sem eu próprio saber bem onde, hoje lembrei-me que poderia deixar-vos uma “pequena” reflexão que me tem ocupado a mente e o pensamento!
Faz hoje oito dias que estou de férias… e acreditem que muito precisava delas… Nestes dias que passei longe do trabalho, aproveitei para me refugiar em diversos locais, refugiei-me no meu mundo, refugiei-me em mim próprio, no meu ser e durante estes dias muitas questões surgiram e outras se desvaneceram! Às novas questões que surgiram infelizmente para elas poucas são as respostas que tenho para dar, não sei se as descobrirei ou se estou interessado em descobrir… sinceramente penso que vou deixar o tempo mostrar-me as respostas…
Este ano que agora termina…, foi diferente, muito diferente! Diferente dos muitos anos já vividos por mim…, foi um ano inesquecível mas ao mesmo tempo um ano para esquecer…! Foi um ano em que sonhei, me deixei iludir e também me desiludi! Foi um ano em que sorri... e muito mas, também sofri! Foi um ano em que… muito aprendi… por erros que cometi, no entanto, há coisas que esqueci…, mas existem outras que nunca irei esquecer, porque não devo e não posso esquecer…
Tal como disse anteriormente muitas questões foram surgindo nos últimos dias, tais como podermos esquecer alguém que amamos e que foi tão importante na nossa vida e que continua a passear diariamente por ai? Como é que conseguimos esquecer alguém que nos fez tanta falta? Como é que conseguimos esquecer alguém que se vai embora de repente e que acaba por cá ficar? Como é que conseguimos suprimir a sua ausência em tudo o que ela ocupava e por último como podemos simplesmente… esquecer...
Na minha cabeça foram tantas as perguntas, foram tantas as questões, foram sobretudo as dúvidas que se assolaram…, se existe o princípio das coisas porque terão algumas delas de terminar e ter um fim? Porque será que com esse fim as pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar mais longe uns dos outros e porque será que tanto tem de mudar?
Muitos dos que lêem este “mundo meu” poderão ter dúvidas tal como eu…, mas hoje que este ano termina começo a saber como…! O caminho é lento... muito lento. As coisas correm todas devagarinho… tal como as águas de um mar calmo. É impossível as coisas passarem com um bater de palmas ou com um estalar de dedos e quem diz que assim é, realmente não tem as respostas às questões que em cima coloquei…
A primeira parte de qualquer solução é aceitar-se que alguma coisa não está bem e que para chegarmos a ela precisamos ter paciência. Mas o pior, é que hoje vivemos tempos em que se procuram resultados imediatos e momentos em que poucos aguentam…, aliás muitas são as pessoas que não aguentam… nada. Ninguém aguenta uma dor, possa ser ela da cabeça, do corpo ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Tomam-se conselhos, ingerem-se comprimidos, enfim… o que sirva de escapes e de alternativa. Mas a verdade, e essa dói… é que a tristeza só passa se ficarmos tristes. Não se pode esquecer uma pessoa tão especial se estamos diariamente a lembrar-nos dela. A tristeza, tal como a saudade, são sentimentos que passam depois de devidamente honrados. São sentimentos que precisamos antes de tudo de ser aceites dentro de nós.
Normalmente falam e dizem… “esquece, ocupa a cabeça, trabalha mais, distrai a vista, diverte-te mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais teremos de enfrentar no futuro… próximo. Sei que fica tudo à nossa espera, e vai-se acumulando tudo na nossa alma, ficando a maior parte das vezes… tudo desarrumado, e o tempo necessário para arrumar será o dobro!
O esquecimento não tem arte. Os momentos conseguidos com grande custo através dos amigos, do trabalho, de novas ocupações não são solução pois para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele simplesmente chegar à paz que precisa! Mas o mais difícil de aceitar é que existem lembranças e amores que necessitam de afastamento para poderem continuar. Deixar de ver para ter vontade de ver. Deixar de sentir para ter vontade de sentir. Deixar de amar para voltar a amar.
Já me disseram por diversas vezes que não devemos voltar a um local onde se tenha sido feliz. Regressar é fazer mal ao que já se guarda dentro de nós. Uma saudade cuida-se. Nos casos mais tristes separa-se da pessoa que a causou. Continuar com ela, ou apenas vê-la pode desfazer e destruir a beleza do sentimento. Mas como esquecer? Como deixar acabar aquela dor? É preciso paciência. É preciso sofrer. É preciso aguentar...
Penso que quem sofre, fá-lo porque amou ou ama. Sofrer é respeitar o tamanho que teve ou tem esse sentimento. No meio do remoinho de erros que nos revolve as entranhas de raiva, do ressentimento, do rancor, temos de encontrar a raiz daquela paixão, a razão original daquele amor. E isso é fundamental…
As pessoas magoam-se, separam-se, abandonam-se, fazem os maiores disparates com a maior das facilidades. Chega-se ao ponto do insulto barato por algo que desconhecemos… e a solução passa simplesmente por ignorar…, a mágoa aumenta a dor fica e a distância torna-se cada vez maior.
Para esquecer uma pessoa não há vias rápidas, não há suplentes, não há calmantes, ilhas paradisíacas, livros de poesia..., só há lembrança, dor e lentidão, com uns breves intervalos pelo meio para retomar reaver o fôlego.
Para este ano… fiquei eu… assim…, tímido… envergonhado!
(Foto: Paula Larsan)
Desejo a todos um excelente ano de 2010…
P.s- Esta reflexão é para ti Lysithea..., porque simplesmente... é destas que tu gostas...

3 comentários:
Só para dizer que tive aqui.
Passe para desejar um bom ano!
Recupera tudo o que deixaste fugir! Tudo e coloca esse sorriso de novo, ou eu obrigo-te!
Essa foto... onde tiraste?
Vi
Há umas horas estava eu a debater-me com as palavras, um pouco em conclusão de uma conversa com uma pessoa (nossa amiga), quando me repeti inúmeras vezes de que haverá sempre alguém (facto que me fez lembrar de ti, e de muitas coisas que aqui escreves-te, de muitas palavras que já partilhamos)... Haverá sempre alguém que um dia chegará, fazendo-nos ver todos os caminhos e fantasias que julgamos perder, fazendo-nos recordar um mundo de aventura… alguém que nos fará, quem sabe, Sonhar.
É amigo, haverá sempre alguém. Alguém que passou já nos fez crescer com a dor… Alguém que um dia passará… e que nos fará recordar como é viver um grande amor..
Haverá sempre alguém…
(nem que seja um(a) amigo(a)… até ao dia em que voltarás a aprender a amar)
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Lysithea
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